
Diário de bordo:
Voltei a trabalhar em surfshop. Terrível. Mas o ser humano, especificamente o brasileiro, precisa sobreviver. Empurro com a barriga então. Escrever ou desenhar agora, só nos compactadíssimos intervalos de tempo. Uma calamidade.
Descobri que meu companheiro de surf de toda vida saíra da clínica de desintoxicação e reintegra-se à sociedade. Mas anda desanimado pra surfar. Jesus! Alguém precisa salvá-lo! E eu posso fazer isso. Bem, deixemos acontecer...
Festas. Emendando com a saída do trabalho, sem tempo de descanso. Consegui carona na última hora com meu brother, Salada, para ir à Gramado, pois Jeff, meu parceiro de balada, não pôde ir. Lá, fiquei num hotel com umas amigas. Deram-me guloseimas e enlouquecemos a ponto de perder a Coca-Cola Vibezone. Filosofia, vinho, um filme de 36 poses em 15 minutos, risada - muita risada... Porém, como minha intenção, acima de tudo, era estar com amigos, foi absolutamente melhor do que ter ido à festa. Contudo, ainda pegamos a after.
OBS.: Se for à Gramado, não vá ao Café Pand’oro.
Conversei na internet com uma garota que “conheci” (nos vimos, mas não nos falamos e nos achamos depois no Orkut. Viva à tecnologia...) numa festa e que parece haver entre a gente uma conexão transcendental de uma maneira tão invulgar que chego a desconfiar se sou um fantoche sendo empurrado por uma mão, sei lá, celestial. Não marcamos nada, nunca. Mas nossos caminhos estão se afunilando de forma cósmica. Deixemos acontecer...
Minha cunhada, que estava com o pé na cova devido ao abuso de crack, resolveu bancar a cristã arrependida e entrar na luta pela guarda do meu sobrinho de 4 anos - que vive comigo e minha família - mesmo sem nunca ter se interessado em vê-lo. Como para a justiça arcaica, mãe é mãe, as perspectivas ficam ruins. Era o que faltava. Posso esperar tudo dela, menos contrição.
Um conhecido resolveu desistir daqui e deu um tiro na própria cabeça. Sua atitude mexeu comigo. Recordei Sócrates, que ao receber a injusta sentença de execução via envenenamento por cicuta, bradou aos juízes “vós me condenais à morte, eu vos condeno à vida”.
Falei com Deus após um longo tempo como lobo solitário. Estou mal. Situação mal. Entretanto, nunca estive tão feliz. Foi bom revê-lo.
Um sábado qualquer a mais, nada incomum, até eu atender uma cliente aparentemente comum. Acredito em coincidências? Uma pequena morena simpática, paulista, com uma risada alta. Só essas peculiaridades já me puxaram. Então percebi que ela tinha as mãos mais bonitas que já vi em toda minha vida. Com unhas pintadas de preto (isso me mata) e algum desenho nas mesmas que não pude identificar, mas irrelevante. Deus! São as mãos mais perfeitas já concebidas pela natureza. Era arte, era o arquétipo do que existia de mais perfeito no quesito mãos. Fiquei meio atarantado, porém me distraí do devaneio e logo me foquei novamente na venda. Experimentou uma saia. Deixou-me ver. Podia ver suas canelas. Pensei se ela teria os pés tão perfeitos quanto as mãos, no entanto, calçava meias. Conversa vai, conversa vem, ela me disse que ia à Neo. Acredito em coincidências? Perguntei se ela conhecia certa amiga minha. Reagiu com sua risada característica que me induzia ao hipnotismo. “É com ela que sairei hoje...” disse a paulista. Levando uma vida de cigano desde que nasci, instável, colecionando endereços, ampliando horizontes, expandindo-me, ramificando-me, conhecendo todo tipo de visão, convivendo em amálgama, ainda paro e me pergunto o quanto o mundo pode ser pequeno. E a que porcentagem gosto de ser surpreendido sempre. Peguei seu Orkut (viva à tecnologia) e ao analisar seu profile, mais uma coincidência(?); mesmos gostos, mesmo sectarismo, mesmo signo, que chegava a parecer deboche. Pára tudo. Deixemos acontecer...
Fim do diário de bordo.
Publicado em 03/09/2006 no site da Void
Voltei a trabalhar em surfshop. Terrível. Mas o ser humano, especificamente o brasileiro, precisa sobreviver. Empurro com a barriga então. Escrever ou desenhar agora, só nos compactadíssimos intervalos de tempo. Uma calamidade.
Descobri que meu companheiro de surf de toda vida saíra da clínica de desintoxicação e reintegra-se à sociedade. Mas anda desanimado pra surfar. Jesus! Alguém precisa salvá-lo! E eu posso fazer isso. Bem, deixemos acontecer...
Festas. Emendando com a saída do trabalho, sem tempo de descanso. Consegui carona na última hora com meu brother, Salada, para ir à Gramado, pois Jeff, meu parceiro de balada, não pôde ir. Lá, fiquei num hotel com umas amigas. Deram-me guloseimas e enlouquecemos a ponto de perder a Coca-Cola Vibezone. Filosofia, vinho, um filme de 36 poses em 15 minutos, risada - muita risada... Porém, como minha intenção, acima de tudo, era estar com amigos, foi absolutamente melhor do que ter ido à festa. Contudo, ainda pegamos a after.
OBS.: Se for à Gramado, não vá ao Café Pand’oro.
Conversei na internet com uma garota que “conheci” (nos vimos, mas não nos falamos e nos achamos depois no Orkut. Viva à tecnologia...) numa festa e que parece haver entre a gente uma conexão transcendental de uma maneira tão invulgar que chego a desconfiar se sou um fantoche sendo empurrado por uma mão, sei lá, celestial. Não marcamos nada, nunca. Mas nossos caminhos estão se afunilando de forma cósmica. Deixemos acontecer...
Minha cunhada, que estava com o pé na cova devido ao abuso de crack, resolveu bancar a cristã arrependida e entrar na luta pela guarda do meu sobrinho de 4 anos - que vive comigo e minha família - mesmo sem nunca ter se interessado em vê-lo. Como para a justiça arcaica, mãe é mãe, as perspectivas ficam ruins. Era o que faltava. Posso esperar tudo dela, menos contrição.
Um conhecido resolveu desistir daqui e deu um tiro na própria cabeça. Sua atitude mexeu comigo. Recordei Sócrates, que ao receber a injusta sentença de execução via envenenamento por cicuta, bradou aos juízes “vós me condenais à morte, eu vos condeno à vida”.
Falei com Deus após um longo tempo como lobo solitário. Estou mal. Situação mal. Entretanto, nunca estive tão feliz. Foi bom revê-lo.
Um sábado qualquer a mais, nada incomum, até eu atender uma cliente aparentemente comum. Acredito em coincidências? Uma pequena morena simpática, paulista, com uma risada alta. Só essas peculiaridades já me puxaram. Então percebi que ela tinha as mãos mais bonitas que já vi em toda minha vida. Com unhas pintadas de preto (isso me mata) e algum desenho nas mesmas que não pude identificar, mas irrelevante. Deus! São as mãos mais perfeitas já concebidas pela natureza. Era arte, era o arquétipo do que existia de mais perfeito no quesito mãos. Fiquei meio atarantado, porém me distraí do devaneio e logo me foquei novamente na venda. Experimentou uma saia. Deixou-me ver. Podia ver suas canelas. Pensei se ela teria os pés tão perfeitos quanto as mãos, no entanto, calçava meias. Conversa vai, conversa vem, ela me disse que ia à Neo. Acredito em coincidências? Perguntei se ela conhecia certa amiga minha. Reagiu com sua risada característica que me induzia ao hipnotismo. “É com ela que sairei hoje...” disse a paulista. Levando uma vida de cigano desde que nasci, instável, colecionando endereços, ampliando horizontes, expandindo-me, ramificando-me, conhecendo todo tipo de visão, convivendo em amálgama, ainda paro e me pergunto o quanto o mundo pode ser pequeno. E a que porcentagem gosto de ser surpreendido sempre. Peguei seu Orkut (viva à tecnologia) e ao analisar seu profile, mais uma coincidência(?); mesmos gostos, mesmo sectarismo, mesmo signo, que chegava a parecer deboche. Pára tudo. Deixemos acontecer...
Fim do diário de bordo.
Publicado em 03/09/2006 no site da Void








