quarta-feira, setembro 20, 2006

O SER IMPERFEITO - PARTE 2


Continuação

Algumas linhas depois, voltamos para o Babilônia. No caminho eu brincava com Vegita; "você sempre me leva para o mau caminho". E rimos bastante. É uma referência que fiz ao gênio de Vegita, pois ele sempre foi explosivo. Mestre faixa preta em Hapkidô e mais um sem-número de artes marciais, Vegita era conhecido por suas "trêtas" cinematográficas em que geralmente levava vantagem, não importando o tamanho do adversário. Sempre disposto a abraçar a mínima bronca pelos amigos.

Entrando no bar, no maior agito, meu irmão já estava lá dentro. Eu estava mais eufórico ainda do que antes, porém meio travado. Mas me sentindo muito bem. Vegita estava mais à frente e lembro que, quando chegamos na copa, onde avistamos meu irmão, Vegita rapidamente contou que eu havia cheirado. Demos risada. Em poucos minutos, eu, elétrico, contudo dizendo uma palavra a cada minuto e às pronunciando em menos de um segundo, fui abordado por uma garota de Atlântida Sul. Notei também que ela estava acompanhada de uma outra menina do qual estava flertando havia alguns dias na minha praia. Bulma, a garota que me abordou, perguntou: "Você queima um?" Eu, mais que ligeiro sacando toda a jogada e mesmo que não fumasse, disse "Claro". Vi que Chichi, a amiga dela, ria meio encabulada. Devia estar pensando: "Nossa, Bulma, não precisava ser tão direta". Saímos para fora do bar. O movimento era total, pois quem freqüentou, lembra que o quiosque era grande, mas não tanto. A mesma quantidade de gente que ficava dentro do bar havia em dobro pelas areias da praia com pessoas dançando, conversando e fazendo de tudo. Um ambiente parecido até com uma rave, embora naquela época, recordo que isso fosse tão pouco difundido que a maioria nunca tivera ouvido falar. Nos pusemos sentados os três em uma duna e começamos a fumar. Eu, fumando muito mal, já que não sabia tragar nem cigarro, pois nunca havia posto um na boca, sabia que a maconha era só uma evasiva para eu ficar com a Chichi. Não deu muito tempo e Bulma, que era inquieta, falou que ia nos deixar um pouco mais à vontade. E imediatamente se afastou. Fiquei trovando com a amiga dela, vi que ela estava na minha, entretanto também percebi que ia demorar um pouco. Conversa vai, conversa vem, eu ataquei e peguei. Aquela noite foi apenas beijos. E marcou a minha entrada no mundo da experimentação. Com esta mesma garota, ainda experimentaria outras drogas algum tempo depois. A vida é engraçada, é surpreendente, imprevisível e irônica. Bulma, em outra ocasião, revelou que gostaria que eu a apresentasse ao meu irmão. Eu e Chichi apenas ficamos algum tempo e meu irmão praticamente casou para, em seguida, divorciar-se com Bulma e desta união caótica e atarantada deu resultado a um filho.

O Bar Babilônia, devido a situar-se em frente a uma área com muitos aristocratas, acabou sendo fechado pela acusação de vender bebidas alcoólicas para menores, aumento dos Cloroformes Fecais na areia por causa das necessidades fisiológicas feitas pelos freqüentadores em qualquer lugar e som alto. Pequenas ratoeiras arapucadas pelos nobres. Foi essa a versão que eu soube.

Lembro que ficava apavorado com o comportamento dos meus amigos. Sempre na "corda bamba", no "fio da navalha". Eu ainda teria usado cocaína algumas vezes mais, mas paradoxalmente eu sempre patenteei a geração saúde. Do grupo, eu era sempre o que não usava nada. Acho que vício em qualquer droga ilícita ou mesmo legalizada, como cigarro e álcool depende da cabeça de cada um. Tornar-se dependente de algo, por mais químico que seja, penso que depende do organismo. Mas isso também tem a ver com descontrole. Usei várias vezes cocaína e nunca me tornei viciado. Quando não estava a fim, recusava. Até mesmo quando me oferecido de graça. Engraçado como, para meus amigos, eu sempre representei o arquétipo do ser humano puro. Em uma ocasião, Yamcha, Trunks e Tenshinhan iam cheirar e eu disse que também faria. Tenchinhan até então, não sabia que eu já tinha usado e exclamou "Pôxa, até tu?" Ele estava sorrindo como quem estivesse feliz por eu entrar para o clube, mas ao mesmo tempo escorreu uma lágrima do olho dele, como se descobrisse que não existia mais alguém perfeito. "Você era a salvação da humanidade", argumentou. Foi hilário.

Eu, que convivia naturalmente com a maconha e nunca havia usado, em uma noite, a usei, acompanhada de farinha, bebidas e posteriormente outras coisas. Como disse, uma coisa leva à outra. É um caminho perigoso. Onde é fácil perder o controle, simplesmente por esquecer onde fica a linha do limite.

Postado em 10/05/2006 no site da Void

Nenhum comentário: