Ainda bebê, segundo relato de minha mãe, eu fugi de casa. Não sei como, mas eu me esticava na ponta dos dedos até alcançar a maçaneta e saía porta a fora. Nessa vez, fui encontrado num mato há significativa distância de casa.Em outra fuga, após rodeios pela minha procura, fui encontrado na casinha de um cachorro feroz da região. Ninguém entendeu muito bem como fui parar ali. E como saí...
Criança, já consciente, lembro de atravessar uma rodovia em descompasso com meus pais mais a frente e sentir um carro bater violentamente em meu pé de trás e frear logo mais à frente, levantando uma névoa de fumaça e o típico cheiro de pneu queimado. Suponho, devido à física, meu pé apenas sacudiu e não sofri nenhum arranhão.
Nessa idade, passei por um acidente mais grave. Porém inóspito. Desde a infância, manifestava uma adoração por super-heróis, até aí, naturalmente pueril, mas nunca achei que pudesse escapar de um incidente como um.
Mas antes, uma digressão: como moleque serelepe, constantemente subindo muros, casas e realizando outros feitos inerentes, eu vestia-me como o tal. Andava com uma roupa de super-homem e capa. Eu sempre quis voar. Desde os esportes que eu escolho a qualquer tipo de atividade, eu pendia a isso. Surfando, eu gosto de embalar até atingir uma velocidade alta para então atingir com tremenda força a crista da onda e decolar. Essa sensação me transcende. É quase uma maneira real do ser humano voar. Pois não há força motriz ou o apêndice de um artefato. Senão uma simples prancha sob meus pés. E a força que me levanta é a própria natureza, ou seja, o mar. Skateboard também é assim. Nos parques de diversão, sempre preferi os mais perigosos, etc.
Continuando, eu andava de bicicleta com meu uniforme e capa, quando um carro me acertou em cheio. Eu esqueci tudo e minha remota lembrança é de ver o automóvel aproximando-se e o mundo girando em azul e branco depois.
Estava no hospital então. Não podia dormir porque batera a cabeça. Todavia, o curioso foi que eu não sofrera nada.
Testemunhas relataram que no impacto eu voei por cima do capô batendo com minha bunda no mesmo até cair no chão. De dano, só quem sofreu, foi o veículo, que ficou com um grande amassado no capô. Ninguém entendeu muito bem como uma frágil massa de carne venceu o metal sólido.
Aos quinze, tive dores terríveis de estômago e fui medicado com remédios pra dor que nada adiantaram. Passei dois dias com uma dor insuportável até ser diagnosticado corretamente por um competente médico e ser internado com urgência com apendicite aguda no hospital da minha cidade.
Acordei com uma bela cicatriz do meu umbigo até quase o meu... É, quase lá.
Eu tenho certo fascínio pela morte. Não que eu queira morrer ou a ache agradável, mas trata-se da curiosidade que move o ser humano a querer conhecer aquilo que teme. Às vezes eu a temo, às vezes não. Talvez porque eu já a conheça há um bom tempo.
4 comentários:
É, definitivamente nosso inferno astral já se iniciou. Matutei sobre a morte no teu post, já vi duas pessoas morrem, e este papo que a alma sai depois é furadíssimo.
Na verdade, ela foi a primeira coisa que eu vi ir embora. Depois ficou o corpo, aguardando pela falência de si mesmo.
Falar nisso, onde anda a tua?!?
Eu tenho certa tara por orgasmos. Alguns são tão violentos que quase desmaio, seria lúdico, mas cuidado: é viciante! Mas só se morre uma vez...já o orgasmo...
:)
Bah, eu adorei esse texto! Já me aconteceram coisas semelhantes, um dia falaremos sobre isso....realmente o desconhecido exerce um certo fascínio sobre nós, humanos...vai ver depois, quando morrermos, veremos que nem era tão extraordinário assim, hehehe!
Valeu a visita. Estou te add nos meus favoritos.
Beijos.
Você deu trabalho para os seus pais...rs
;)
Sempre fui muito cagona para os brinquedos de parque de diversões e nem por isso deixei de experimentá-los. Realmente esse fascínio pelo medo secreta uma liberação de adrenalina muito grande e a sensação de passar ileso por aquela experiência é muito boa, independente se a gente quiser ou não repetí-la.
Ainda bebê, em uma consulta por telefone o médico confundiu a mim com a minha irmã, sete anos mais velha, e receitou grande quantidade de xarope. Minha primeira overdose (e única).
Quinze anos mais tarde, para não atropelar um cachorro, freei a moto (só a roda da frente) e segundo uma senhora que me prestou socorro após o incidente, eu voei muito alto!
A única coisa que lembro é do cachorro e depois prender meus dedos entre os paralelepípedos com força para parar de se arrastada.
Aqui em Pelotas, o pessoal costuma fazer pêndulo na ponte que vai para a cidade de Rio Grande e, embora tenha recebido alguns convites para saltar, ainda não criei coragem.
BjBjBj
Liloo
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