quinta-feira, julho 31, 2008

RIR É A ÚNICA SOLUÇÃO

O francês Voltaire rematou: “Deus é um comediante atuando para uma platéia que tem medo de rir”. O bom da ironia é que ela pode ser usada pra qualquer caso; rir é melhor que chorar, mesmo quando a ocasião for triste. Se você ler a Bíblia, notará que o ser humano não passa de um projeto que não deu certo. Só isso já é motivo pra rir. Essa máxima é apoiada por teólogos, filósofos, pesquisadores, etc. Rir da desgraça alheia definitivamente não é ético, mas rir de si mesmo e da própria ignorância, direção errada, do equívoco ou da circunstância, tempera o que lhe parece insosso.

A ironia do destino, que nos leva à situações constrangedoras ou buracos. Aplicar o sarcasmo na vida. O cinismo não é só pejorativo. É fascinante como eu passo a imagem de palhaço para meus circunstantes. Por quê? Porque sou um poço de inépcia. Depois de tantas idiotices progressivas e gradativas, a gente consegue um status de naturalidade incondicionalmente espontânea e sem intenção onde viramos motivo de riso mesmo quando falamos sério. Quando ofendem, dizem patacoadas ou me interpretam errado, digo: “você pode estar certo...” Quando escrevo, falo, e alguém discorda, se indigna, isso basta para eu desatar a rir e me incita a envidar. Alguém me levando a sério, fala sério! Dizem que para a piada ter sucesso, deve ser contada ao público certo. Você não pode contar piada de bêbado numa família que tenha alcoólatra! Piada sobre corda em casa de enforcado. Entretanto, há de fazer as pessoas rirem do próprio problema. Ver o lado cômico. Sempre haverão gregos e troianos e o divertido consiste em fazer um povo rir e o outro apedrejar. Não se abalar pelo que não foi bem-quisto, pelo contrário, fazer como Iggy Pop, pedir que continuem jogando garrafas no palco e rolar nos cacos de vidro. Somos bombardeados por atitudes errôneas o tempo inteiro, chegamos numa tamanha crise onde tudo acaba em pizza (se é que acaba, a justiça adora procrastinação...).

O Brasil – e é um paradoxo eu dizer isso – tem um lado positivista; é carnaval, é futebol, é sacanagem. A gente se diverte pacas. Mesmo em tempos de caos. A economia pode estar inflacionada, mas não se deixa de comemorar nada, quando o time perde, choramos. Isso é bizarro. As pessoas menos ortodoxas que conheço são as mais engraçadas e felizes que conheço porque onde outros vêem só desgraça, elas riem. Liberam endorfina, ficando eufóricos para continuar. Steve-o. O magrinho pirado do Jackass, que tem tatuado na bunda “Your Name”, o próprio rosto (com pose ridícula) nas costas e uma tentativa de tattoo no braço cuja concepção foi enquanto andava de jipe, como se pode ver no filme dos caras. Hermes e Renato então? É palavrão gratuito, atuação péssima, produção medíocre, é perfeito. Fazer humor nem que seja pra rirem da incompetência.

Por mais sincero que se seja, outras pessoas sempre terão menosprezo. Essas acharão que sabem ou, de fato, saberão mais, julgando-o limitado, talvez o crucificando. O que elas não entendem, por mais cultas que sejam, é que a maior sabedoria vêm do coração e não da mente.

“Nossa Senhora, com Menino Jesus em seus braços, resolveu descer à Terra e visitar um mosteiro. Orgulhosos, todos os padres fizeram fila e cada um mostrou seu melhor; um declamou poemas, outro arte bíblica, conhecimento religioso, etc. O último da fila, o mais humilde, nunca tivera oportunidade de aprender os sábios textos da época e tudo que sabia era fazer malabarismos com bolinhas. Os outros padres quiseram encerrar as homenagens antes dele, por achar que poderia desmoralizar a imagem do convento. Entretanto, no fundo do seu coração, também ele sentia necessidade de dar algo à Jesus e a Virgem. Envergonhado, com olhar reprovador de seus irmãos, tirou laranjas do bolso e fez malabarismos. Foi só neste instante que o Menino Jesus sorriu. E foi para ele que a Virgem estendeu os braços, deixando que segurasse um pouco o menino”.

Publicado em 06/07/2006 no site da Void

Um comentário:

Mica disse...

Esse teu texto me deixou pensando... ando... ando...

Acho tão impressionante a maneira com que expoes as coisas, o uso de certas palavras (és pernóstico), que em momentos como agora nem me arrisco a comentar nada, pq muitas vezes me acho uma alienada da TV que "nada tem a declarar" sobre um monte de questões, por ex, política, economia e a situação do país.

Oo

BjBjBj
;]