A rave. Meu orkut estava bombando de mensagens do tal orkontro [encontro via orkut], conduzido num tópico da comunidade 1200 mics. Ainda em Esteio, comecei o aquecimento na casa do meu amigo Jeff. Entornei umas duas cevas e já estava bêbado.Partimos, Jeff, minha amiga Beta, sua amiga Desirée, e eu. Em Porto Alegre, nos juntamos a nossos outros amigos; Kaká, Zé e sua namorada, meu conterrâneo Marc, e um tal John. Quando chegamos, Kaká, John, Marc e eu ainda tivemos de trovar o cambista a nos vender ingressos a trinta reais. Kaká é quase um vereador e "relações públicas" em POA, então, conhecendo todos os cambistas, conseguimos um que topou negociar.
Entramos. Jeff havia comprado um ingresso VIP e tendo que entrar por outro lado, logo se perdeu de nós. Dei um tempo e resolvi tomar logo minha bala. Ninguém tinha ainda, só Jeff e eu. Então Marc perguntou se eu dividiria com ele e disse que me daria meio doce, no caso. Concordei. Ficamos perto das cabines de vendas de fichas para bebidas. Passado algum tempo, comecei a sentir lentamente os efeitos. De repente, Jeff aparece no meio da gente. Incomodei-o para irmos conferir o orkontro, em frente à caixa da direita e pedi meio comprimido. Saímos dali e logo vi que eu estava passado. Ao Jeff dividir a pastilha comigo, derrubei minha metade na grama. Pensei, me fodi. Não sei como, Jeff olhou para a grama, com inúmeros pontos brancos entre papéis, sujeiras e muitos outros dejetos e achou o meio ecstasy. Tomei e continuamos o percurso. Uma digressão: já vi muito isso acontecer e não sei como explicar, noutra ocasião, no antigo Beco da João Pessoa, uma garota achou nosso meio LSD no carpete escuro com zilhões de minúsculas porcarias a centímetros de distância. Coisas da noite.
Não tenho exatamente uma opinião formada a respeito de destino e coincidência. Todavia, quando acontece um encontro inesperado entre duas pessoas com interesses comuns, aprecio o inusitado. Uma garota me pediu um pouco da minha água. Ofereci e logo fui dando em cima (normal...).
-Olha, não sei se tu vai acreditar, mas sou lésbica.
-Tu tens orkut? - Rapidamente perguntei.
-Bah, pior que não.
Então a surpreendi.
-Se tu entrar na minha página, verá que estou numa comunidade chamada Adoro Lésbicas.
Bingo! Ela achou o máximo e disse que me daria seu msn. Lembra o que disse sobre coincidências? Pois é. Continuamos.
-Que tu faz? Estuda? - Ela me perguntou.
-Em ordem alfabética? Bem, sou desenhista...
-Aaaahhh! Não acredito! Eu também! Faço moda!
Considerando que eu já criei estampas para marcas de skate, diria que era uma coincidência e tanto. Ela pegou meu telefone e me passou seu msn em um pedaço de carteira de cigarros, pois eu não tinha condições de mexer com meu celular. Dei um beijinho na boca dela e segui.
Chegando ao orkontro, foi inútil. Eu não reconheceria nem minha mãe se ela estivesse ali. Posso dizer, que eu estava flutuando naquele momento. Estava me movendo em câmera lenta. Olhei em volta e percebi que aquilo parecia um baile gay. Jeff e eu estávamos, acho que na ala homossexual. Senti-me como aquele cara que fica nu no filme Loucademia de Polícia.
-Ô meu... Vamos sair daqui. Só tem gay neste canto! - eu disse.
-Vamos achar umas minas... - Jeff respondeu.
-Porra, tô me sentindo peixe fora d’água aqui...
Fui mais para o lado, onde tinha umas garotas. Vi uma dançando com uma amiga. Ergui os braços e fui em direção dela. Dei um abração apertado. Ela correspondeu. Fui beijando-a no pescoço e logo subi pra boca. Eu não conseguia falar. Minha boca parecia estar derretendo. Esforçando-me, só consegui perguntar de onde ela era. Disse ser de Caxias. Não consegui mais do que isso. Disse ao Jeff "vamos voltar para nossos amigos. Esta gente aqui não é a nossa. Vamos encontrar quem realmente gosta de nós". Falava frases sem sentido.
Continua...
Publicado em 31/05/2006 no site da Void



