Seria uma festa tranqüila. Mais uma. Fumei um e comecei a me embebedar. E fazia tempo que eu não aplicava um “nose grind”.Uma menina adorável me avista. Uma moça que eu conheci há uns dois anos atrás, quando estava dormindo numa cadeira na parte de cima do Beco e Jeff me chamou para descermos e conferir uma última vez a outra pista. Então essa garota pára do meu lado imediatamente, conversamos e ficamos juntos aquela noite. E nessa ocasião, repetimos nossa antiga história.
Jeff conhecera uma garota pitoresca. Cabelo rastafári loiro, na altura dos ombros, simpaticíssima. Perguntei se topariam fumar mais um último cigarrinho, e a mesma dissera que poderíamos fazê-lo em seu apartamento. Ando bem ébrio ultimamente e parece que não encontrei mais gente que me acompanhasse nessa corrida, porém prefiro mesmo fumar sempre acompanhado. Gosto de dividir a sensação com alguém.
Despedi-me de minha garota, encontramos o caminho e fomos todos para a entrada de seu prédio. Entramos. Disse que estava sozinha, que poderíamos ficar à vontade. Meio apreensivo, perguntei se poderia acender ali mesmo, ela falou para ir tranqüilo. Olho para a mesa da sala e então vejo dois esmurrugadores, dois tabletes de maconha, cachimbos, maricas, e incontáveis baganas. Ali acreditei mesmo que ela não se importaria se fumássemos na sala. Adepta do Greenpeace, falava arrastado sobre comida orgânica, política e filosofava ao mesmo tempo. Tudo sempre terminando a frase com um “cara”. A conversa estava deliciosa. Fui acender meu crivo enquanto ela ligava outro - putz, pensei, de onde ela tirou um beck tão rápido? Divagávamos enquanto assistíamos a um show do Portishead. Fiquei bem relaxado. Daí vi que ela preparava mais outro baseado. E aquilo não ia parar tão cedo. Meus olhos já ardiam e parecia estar num filme de Cheech e Chong. Eu ria a cada dois minutos sem saber bem o motivo. Tudo para ainda presenciar um gato ter relações com um peixe colorido de pelúcia.
Essa menina, com apenas 21 anos, lésbica, tão invulgar e interessante, me lembra quando Hunter Thompson, interpretado por Johnny Depp no filme Medo E Delírio Em Las Vegas, ao ver o amigo partir, profere as palavras que eu usaria para descrever essa flor: estranha demais para viver, rara demais para morrer.
2 comentários:
A ultima vez que algo semelhante me aconteceu, eu simplesmente não lembro!!! Acho que foi a única vez que eu tive um apagão assim, foi de fumo...aquele famigerado da lata, os anos 80 serviram para alguma coisa,
kkk
hum...portishead, cigarros e álcool. Uma ótima combinação
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