Saí para beber. Clima ameno. Muito vento. Pode-se ouvir as árvores cantando. As praças falando. Seres da noite. E eu era um deles.Ele me diz, com a mão na cabeça, a bebida em punho e olhar ao chão “cara, vou me formar no fim do ano”. Do alto de seus quase dois metros e eterno olhar plongée, uma tonelada de interrogações de uma mesma doença, incurável.
Velhos amigos, muito tempo depois. Anos passando, gente diferente. Acho que estou ficando velho. Antes, nessas festas provincianas, todos se conheciam. Pareço um alienígena. Não reconheço mais minha casa, meu lar. O lugar onde vivi. Estou muito antiquado ou estou com a mente distante. Amigos que se conhecem há uma vida dividem a cumplicidade de uma experiência pura, sincera e engraçada.
Lembro de andar sobre o oceano. Com minha jovem presunção, aprender a tornar-me humilde. Agraciado com a leveza do ar e, por sua vez, sentir-se apreciado. Prêmios aquém da maturidade. Uma criança não ganha uma prostituta de presente.
O entendimento revelado só depois de pago seu preço inafiançável. Ou será apenas um equívoco. Perguntam ao meu amigo, por que trompete do peixe triste?
A noite tem algo onde os ébrios se encontram. É quase um relacionamento. Ando por ela. Rápido, mas cada minuto infinito. Conversamos. E flertamos. Honestamente. A nossa singela pena. O trem fantasma dos morcegos sem medo. E podemos sonhar.
A insegurança com o vento vai embora, porquanto traz seus obstáculos, todavia, confia em você como um pai confia no filho. Folheia meu caderno e sorri ao poder ver um segmento que a faz colorida, esquecendo de prisões.
Penso nas garotas que conheci. Penso numa garota. Como posso ter tanta aptidão para magoar ela. Absorvo sua tristeza. Posso senti-la em mim, posso ver os alfinetes que ponho em seu coração. E me sinto mau. Torturo-me com minha culpa. E destilo meu veneno agora em mim mesmo. Morro. Um escorpião não morre de seu próprio veneno, porém sente a dor. O auto-sacrifício vão. Inventamos formas de morrer. E Morro mil vezes.
Machucado, de aparência desagradável aos olhos privilegiados de ignorância, eu sigo. Sob desaprovação, eu me orgulho por ter chorado e com todos os pesos amarrados a meu corpo, sorrio. E descanso. Eternamente.
7 comentários:
Tá.
Onde vamos morrer no nosso aniversário??? Nada de vitrine, por favor. O bom mesmo é o submundo. Lá é que as pessoas podem ser elas mesmas.
Tô com saudades...
:)
E aproveitando o ensejo, um ponto para pensar sobre teu post: lembra que somos mestres da autosabotagem...
e pro nosso azar, sempre funciona...
:(
Sabes que sempre que "te leio" fico me perguntando se teus textos são reais, se essas coisas te acontecem mesmo ou se são somente fruto de uma imaginação mto fértil....adoro o que escreves e a maneira com que o fazes....és divinamente simples e intenso ao mesmo tempo....
Beijão!
Hehehe, valeu querido! Mas tás adiantado já, hein? O Natal é só em dezembro! Hehehehehehe! Espero que nos falemos antes disso....
Bjón!
então diego, lembrei hoje que a época dos escorpianos tá aí. quando foi ou será o dia todo teu?
quando cheguei no finalzinho do teu texto lembrei, bem brega, de "aceita queda e não desanima. levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima." ;)
"E Morro mil vezes."
Nasce mil vezes e vive eternamente.. :)
legal aqui, escreve bem!
Saudades, mon ami.
BjBjBj
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