sexta-feira, setembro 19, 2008

A GAROTA DO POSTO

Nós, homens, somos tapados por natureza. Credito um pouco à história da evolução, donde éramos trogloditas e vivíamos pragmaticamente sob instinto, como verdadeiros selvagens. Muitas vezes, não reconhecemos os sinais. O simbolismo, romântico e subjetivo, quebra nossa cabeça e preferimos agir como ratos atrás de queijo, deixando as entrelinhas de lado.

Depois de algumas bebidas, alguns cigarros, jogatinas, volto pra casa, mas antes, decido parar no posto de conveniência da minha cidade para comprar uma pizza e um chocolate, hábito usual.

Mais que a larica, lembro-me de inúmeras ocasiões, aterrissar ali e uma mulher, aparentando lá seus trinta, sempre me atender. Muito simpática, notória balzaquiana. Trocávamos sorrisos superficiais e o que muito me chamava à atenção para com ela era sua maneira de resolver as coisas. Trabalhando de madrugada, seguido apareciam bêbados ou outra corja de impertinentes tentando alugar seu precioso tempo para conversas evasivas onde nem psicólogos gostariam de deitarem-nos em seus divãs.

Eu a admirava sem perceber. Na minha cabecinha desmiolada, e instinto masculino, seu estilo me representava uma mulher forte em sua essência. Trabalhando à noite, submetendo-se às barbáries de uma rotina desgastante e nada saudável por, sei lá, alguma razão sustentável. E num retrocesso à Édipo, via nela as mesmas qualidades de uma mulher que seria capaz de tudo aonde a honra fosse permitido chegar, desde esfregar o chão até abrir mão de seu próprio bem-estar em prol de sua cria. Em resumo, uma mulher de valor inestimável.

Só da última vez que saí dali, que me caiu a ficha que ela me via de uma forma mais que profissional. Em um dia de frio, após eu dirigir-me ao balcão com minha pizza e meu chocolate em mãos, ela dissera em alto e bom som “ai, que calor”.

Então, agora eu queria uma pizza, o chocolate e ver aquele sorriso confortante. E talvez algo mais. Cheguei à loja, e ao olhar para o balcão, uma decepção. Ela não estava mais ali. Nunca sabemos o que foi, o que é, ou o que poderia ter sido. Fato é que, nós da minha espécie, merecemos pagar por nossa ignorância.

E, do fundo do meu coração burro, espero que ela encontre alguém com um valor igual ou superior ao seu. Porque mesmo sem nada saber desta garota, sei do que ela é feita. E ela deve ser feliz.

3 comentários:

Lelly disse...

Bah como estou aqui sempre para ler suas postagens, esta eu não poderia deixar de comentar....
Os homens têm essa louca mania de ver o óbvio somente quando lhes convém....
Muitas vezes deixam passar oportunidades únicas...
Diga-me o que nós mulheres temos que fazer para abrir os olhos de vocês???
shauhsuahuhsuhsa
=*********************

juliana moura disse...

já me aconteceu algo semelhante. acho decepcionante. :(

Pettulantia disse...

Sei lá.
As vezes o não-desejo é a própria forma torpe de se desejar muito.
Aquilo de sempre.