sexta-feira, julho 04, 2008

O PROBLEMA DO CONHECIMENTO

Você está disposto a saber a verdade? Você quer todas as respostas? TODAS mesmo? Se Deus resolvesse lhe responder, será que solucionaria suas angústias? Seus medos? Faria você entender o porquê de estar vivo e o motivo e a razão e o objetivo da vida ou faria com que ao saber a verdade, você se desesperasse ainda mais, arrependendo-se até o último suspiro (no qual você já saberia até a causa de respirarmos) por ter desejado perguntar? Ser um douto, um ente de gosto superior, uma pessoa inteligente, um conhecedor não traz tanto bem-estar assim. Quando somos crianças e perguntamos aos papais e mamães como nascemos, eles dizem que foi a cegonha, uma sementinha, enfim. Por quê? Porque não estamos prontos pra conhecer a realidade. Não estamos preparados, com a capacidade intelectual, a parte fisiológica totalmente usual para compreendermos a verdade. Deus tentar fazer-nos entender é vão. Seria como você convencer uma barata que é mais inteligente que ela. Você sabe que é, mas nunca conseguirá fazê-la compreender. Por mais boa vontade que tenha, nunca conseguiria. Esse é o problema da sabedoria. Quando se pensa muito, inclina-se a querer encontrar uma utilidade para si mesmo. Descobrir sua função, objetivo na vida. O que consiste em desviar-se da natureza e perder-se na infelicidade. Há pessoas que dispõe toda sua existência a buscar as respostas, lançando-se na meditação plena. Dizem que quem encontra a verdade, fica louco. Por outro lado, para tornar-se uma criatura elevada, inteligente, astuta, você deve adquirir experiência e para isso, você deve se arriscar mais, ser mais imprudente, menos temerário, provando da emoção e da paixão, o que, não raro, passa uma imagem de excêntrico e excêntrico é sinônimo de louco. E louco é dual. Alguns, ao saberem a verdade, não a agüentam e realmente ficam pirados. Outros, quando assimilam, tornam-se inevitavelmente sábios, tornando-se humanos em meio a baratas: são vistos como loucos.

O sistema de ensino é incompleto. Aprendemos as necessidades básicas e depois se estende a um calhamaço repetitivo e desnecessário, como se o conhecimento devesse ser ali interrompido. Se você ler três livros por mês, dos 20 aos 50 anos, serão 1.000 livros lidos numa vida, que nem chegam perto dos 40.000 publicados todo ano só no Brasil. Comparado com os 40 milhões de livros catalogados pelo mundo afora, mais 4 bilhões de home pages na internet, teses de doutorado, artigos e documentos espalhados por aí, provavelmente seu conhecimento não passa de 0,0000000000025% do total existente. Transformar-se em erudito não concluirá seus problemas. Só trará mais um fardo pra você carregar. Procurar um sentido prático é mais eficaz.

Viver como uma formiga não significa necessariamente viver alienado. Há uma linha tênue. Quando um animal gregário segue sozinho, acaba morrendo em virtude das circunstâncias. Não temos todas as respostas, só as lógicas. As que nos orientam e estão todas aí, na terra, no céu, no mineral, ensinando que todos fazemos nossos papéis em um ciclo. Nada nos impede e, nem deve, de nos separarmos do bando, contudo, procurar um sentido, uma razão, pode não trazer exatamente aquilo que você pensava. Não sabemos como começamos, então não precisamos saber o fim, apenas o próprio fim e nisso, determinarmos nosso objetivo, focando-se nele e não nas interrogações de quando estaremos amadurecidos o suficiente para suportarmos as respostas. Nossa função é fazer parte da vida.

Não é errado buscar incessantemente a razão, mas é desgastante e geralmente sem retorno. Temos prazeres fúteis e carnais e cada um decide a maneira melhor de se sentir bem. Não se trata de buscar caminhos fáceis, mas de não tornar os difíceis impossíveis e dificultar os coesos. Louco é quem não frui da vida pragmática que temos, querendo outra dimensão, esperando ser feliz lá. Quando você topar com um degenerado ou indigente gritando profecias, não precisa lhe dar razão, entretanto lembre-se: ele pode estar certo. Você está disposto a saber a verdade?

Fonte: Stephen Kanitz

Publicado em 17/06/2006 no site da Void

2 comentários:

juliana moura disse...

alguns dias atrás escrevi um longo e-mail sobre isso para uma pessoa com quem discuti sobre dúvidas. não chega nem perto do que li agora, mas vou postar. já tinha pensado em postar antes mesmo de ler aqui.

Mica disse...

Não conhecia o texto do rei. Coincidentemente, recebi um email com a história num power point.
BjBjBj