quinta-feira, julho 24, 2008

METAMORFOSE

Se eu tivesse que traçar uma analogia para mim, poderia dizer que me assemelho à fênix. Não sou aquela pessoa que você vê toda hora. Eu costumo desaparecer. Sou o que chamam de sumido.

Eu tenho uma necessidade enorme de introspecção. Usualmente me fecho e tenho uma reunião com o meu id. Nessa reunião, discutimos evolução, crescimento, estética, passado e futuro, entre outras coisas.


Alguns preferem agir gradativamente. Mas eu sempre sou impelido a métodos radicais e extremos. Tudo que é assim me atrai mais. Desde esportes a costumes. Sou um cara que não gosta de futebol. Não sei por que, mas nunca me seduziu. Entretanto, skate e surf sempre me apaixonaram. Procuro algo perigoso. Entre baralho, xadrez, eu fico com a roleta russa. Não sou aquele sujeito que pede ao cabeleireiro para aparar as pontas. Sou aquele que chega com o cabelo muito comprido e pede pra passar a máquina zero.


Uma alma inquieta, atormentada e que gosta de sangue. Aquele que não fuma nem um cigarro, pra então ingerir um coquetel de narcóticos. Eu não beijo, eu mordo. Não seguro, agarro. Não como, devoro. Não falo, eu grito.


Em períodos de meses, eu costumo sofrer algumas mudanças radicais. Seja no comportamento ou aparência. Mas é num período de anos que sofro de uma metamorfose severa. Recolho-me em um casulo e ali passo um longo tempo. Eu fico deformado, sinto minhas células mutando-se. Sinto uma dor terrível, uma experiência de quase morte. Um extenso caminho de cacos de vidro e paredes com navalhas. Até eu alcançar um lugar abstrato e ver uma luz majestosa como um oráculo. Então eu não sei o que acontece nesse tempo. Apenas vou ficando sonolento e mergulho num mundo perturbador. Então com a visão dessa mesma luz, eu acordo, não mais como uma larva, mas já uma borboleta.


Acredite, deveria haver um acompanhamento psiquiátrico integral para essas etapas da vida. Já aconteceu de eu acordar rapidamente durante esse processo. E você fechar os olhos e simplesmente acordar e ver-se desfigurado é a pior sensação que se pode ter. É pior que a dor física. É uma dor além do subconsciente, em algum lugar transcendente. Paradoxalmente é uma etapa indispensável no processo mórfico, pois, é esse susto e vivência do processo que adapta a mente para suportar a mudança física. No pain, no gain. Mesmo eu elucubrando-me com esses fenômenos, não tem como negar, a natureza é perfeita.

4 comentários:

Roberta Calabrich disse...

"Eu costumo desaparecer. Sou o que chamam de sumido."
Nossa! Também sou assim, completamnete assim!
Esse texto parece que foi feito parar mim! Aúnica parte que realmente não dá cero comigo é parte "Sou um cara que não gosta de futebol..." AMOO futebol (rs)

É o perdão é mesmo extraordinários, mas quase ninguém sabe usá-lo, ou não quer...

Você merece os elogios! Você escreve bem, parce ser algo bem verdadeiro.
Eu também agradeço pelos comentários e por gostar dos meus textos, eu as vezes acho que ninguém vai enternder...
Brigada!
beeijos

Roberta Calabrich disse...

Tem orkut?

Unknown disse...

não tinha lido esse ainda... sabe que dá vontade de chamar no ctrl+c nesse teu texto. embora para tão pessoal, não fui só eu que me identifiquei. deve ser uma característica meio que comum. é um alento para mim que sempre me sinto tão sozinha nessas etapas constantes.

juliana moura disse...

haha sou eu aí em cima... não sei como saiu aquele "to feia", acho que foi um toque do blogger pra mim. hahahaha :D