É incrível como, às vezes, certas coisas banais nos derrubam. É difícil definir nossa própria força. Pergunto-me se depois de tanto superar constantemente meus limites: ficar internado uma semana no hospital; tatuar-me; varar mares de ressaca sob nuvens negras e trovões soturnos; sexo inconseqüente; intoxicar-me; tomar um fora da mulher que amava; conversar com meu pai na UTI enquanto mantinha um sorriso de alento na cara, quando na verdade, eu estava me despedaçando, em choque por dentro, por vê-lo vertendo tubos por todos os poros. O amor faz com que eu perca o interesse pela promiscuidade. Uma baixa de pressão, após uma agulhada em jejum, me surpreende. Como minha maneira altruísta e doação incondicional do meu amor terminam por fazer com que eu fique triste. Eu já convivi com ratos e já experimentei a sensação de não poder respirar. A gente nunca está pronto, nunca pára de crescer e se moldar.
A ilha estava afundando e todos os animais a abandonavam, jogando-se ao mar. O escorpião, sem saber nadar, implorava por carona, mas nenhum animal se atreveria a fazê-lo, pois temia que fosse picado. Pediu angustiado à tartaruga, que disse “ok, mas veja bem, se você me picar, ambos morreremos afogados”. Com sensatez, o escorpião topou imediatamente. Atiraram-se à água e durante o caminho, a tartaruga sentiu uma ferroada na nuca. Virou-se para o escorpião: “por que você me picou? Agora eu e você morreremos!” O escorpião disse: “não pude evitar. É minha natureza”.
2 comentários:
pode ser natural das espécies seguir a natureza, mas é dos humanos se adapatar.
quanta sensibilidade!
era pra comentar em inglês tb?
=)
Thanks!
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