segunda-feira, fevereiro 05, 2007

DIZEM QUE SOU LOUCO

Vocês acham que eu sou louco? Perguntei para minhas colegas de trabalho. “E você acha que a gente tem alguma dúvida?” responderam.

Decidi ir à cidade baixa sozinho. Peguei o metrô, na Mathias subiu uma prostituta morena, aparentando uns vinte anos, cabelo ondulado e molhado de algum creme. O corpo normal. Não fazia o meu tipo, porém reparei em seu semblante. Um rosto sério, talvez sofrido, embora não representasse isso esteticamente. Gostaria de desenhá-la algum momento desses...


Aterrissei no bairro da boemia porto-alegrense. Fiz o trajeto começando pelo Bells em direção ao Ossip. No meio do caminho, um sujeito me abordou: “têm fogo?” Tenho, respondi. Ele sacou um dedo de beck e ligou o estopim. Eu pegara um fino antes de sair de casa, no entanto, aproveitei e pedi uns tapas do dele. O rapaz era de Tubarão, SC, e desembarcara em POA para prestar um concurso de sargento, o da ESA. Ele também falou que pegara aquele cigarrinho havia poucos minutos e que era do bom – é o que sempre dizem. E era. Tão bom que esqueci onde era o Opinião, referência para o bar do Hélio (a bebida mais barata da cidade), lugar onde eu deveria ir para me encontrar com uma garota. Segui caminho conversando com o “gente fina”, o qual não lembro o nome. Na frente do lugar, vi um cara me olhando e pensei ser um amigo meu, contudo, era apenas um vendedor de erva. Já que estava ali, comprei mais um fechado. Guardei e o canudo abriu, espalhando a erva pelo meu bolso. Precisava de um papel e encontrei o recibo da minha prancha nova no bolso traseiro da bermuda e consegui resgatar uns 60% da maconha. Passado esse momento de estupidez, abri a série com uma cerveja. Quando ela chegou, fomos para o apartamento da sua amiga que estava sozinha. Recordo-me que era na Marechal próximo à Jerônimo Coelho. Último andar, cobertura. A vista era fantástica. Era o espaço sideral com seus brilhos a visão dos prédios àquela altura. Acima, os pontos luminosos, e abaixo, as luzes da cidade pareciam quererem ser estrelas também. Fui trabalhar de virada. 24 Horas pareceram 48...


Fecharam a loja mais cedo e pude chegar em casa e dormir um pouquinho. Acordei e recebi então uma mensagem no celular de uma garota com quem havia reencontrado após uns anos, me convidando para posar com ela, pois estava sozinha. Curioso, pois eu conheço essa mulher há sete anos e de repente ela lembrou de mim e descobrimos uma sintonia boa. Duas quadras da minha casa, cinco minutos a pé.


“Tu tem noção que está ficando louco? Que precisa ir a um psiquiatra?” perguntou meu irmão com tom de deboche – a gente só dialoga assim. Ignorei a observação.


Esta, definitivamente foi uma noite insólita para mim. Como um eclipse, tudo pareceu perfeito. Um amor sem limites, como gosto. Eu realmente amo fazer minete nela. E aprecio sua expressão com uma satisfação de puro júbilo. Ela arranha minhas costas até sangrar, eu a faço tremer. Ela rasga, suja minha roupa, molha minha boca, me dá um tapa na cara, me dá dois, três e me beija com paixão. A noite era nossa sim. A TV passava Mtv e incrivelmente as bandas que eu curto tocaram naquela ocasião. Placebo, Portishead, Peppers, Bowie. Pura coincidência? Não tenho a mínima idéia.


Eu não queria paixão. Queria amor. Mas ela me faz sentir bem enquanto ele não vem...


- Você é um sádico. Um louco. Tem noção disso?

Me disse ela com um sorriso sensual. Parei. Pensei um pouco:

- Eu sei... – respondi.

Um comentário:

Pedro Cassel disse...

o cara, se tuh quiser eu conheço um ótimo psiquiatra, ok??
hehehehe